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Sobre RodrigoFND

Graduando na FND/UFRJ, ciclista, partidário do abolicionismo penal e professor particular de Redação para o Enem.

Por que líquido?

A globalização provocou diversas mudanças no cenário mundial, tempo e espaço inverteram seus papéis e muito se questionou se não havíamos superado a Modernidade. O sociólogo Zygmunt Bauman, autor do famoso livro Modernidade Líquida (2000), esclarece que a Modernidade se mantém, pois sua missão sempre foi destruir os sólidos que impediam o avanço da domesticação do mundo. Hoje, ela está em sua fase líquida.

Os líquidos são fluidos. Significa dizer que não possuem forma definida, sofrem constantes mudanças a cada batida que levam, mas conservam suas características. Líquidos são leves (ao menos sempre associamos liquidez a leveza, mesmo o líquido pesando bastante), ágeis, instáveis. Desprendem-se, e sua ideia combina mais com a liberdade do tempo do que com a inalterabilidade do espaço.

Por sua vez, os sólidos são fixos, têm forte ligação e não se rompem facilmente. Sólidos são desprezadores do tempo, pois o que lhes importa é o espaço que ocupam, carregam consigo a estabilidade, previsibilidade.

A missão do poder é tornar a vida previsível, administrável. Portanto, Bauman afirma que os sólidos estão se liquefazendo para dar lugar a novos sólidos. Sólidas são as instituições modernas: a igreja, a família, o trabalho, a sociedade, os relacionamentos, a identidade, a moral, a matemática/ciência, etc.

Elas precisam se liquefazer pois não deram o retorno esperado, o da vida feliz. Há mais alimentos no mundo do que pessoas, mas há mortos de fome. Há mais terras do que pessoas, mas há desabrigados. Há mais conhecimento, mas o conhecimento construiu a bomba atômica. Essas são algumas das contradições insuportáveis frente à promessa de que com a razão conseguiríamos o mundo perfeito.

Famílias infelizes, igrejas polêmicas, trabalhos incertos, sociedade dividida, relacionamentos curtos, identidades confusas, amoralidade e a própria farsa da matemática dão o tom do que estamos vivendo. Apesar de ainda conhecidos, esses institutos estão sofrendo evidentes transformações que alteram suas formas de existir no mundo, ainda que não estejam destinados à extinção.

Hoje é tempo de instabilidade e velocidade. Insegurança e liberdade. Por isso, líquido.

Indico esta conhecida entrevista do sociólogo ao Fronteiras do Pensamento, pois minhas palavras são mera isca para que o leitor de fato se interesse por esse pensador que tanto me ajudou a pensar o mundo quando eu iniciava meus estudos para o vestibular.

Se gostar, leia um livro líquido 🙂

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A (falta de) lógica da Trapaça

Decidi fazer uma resenha do livro “A verdade mais pura sobre a Desonestidade”, do professor de Economia Comportamental e Psicologia da Duke University, Dan Ariely. É uma leitura de cerca de 15 minutos, que pode ser pausada a cada subtítulo. Chave para destrinchar uma série de temas do Enem e da nossa vida privada!
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Com certeza não é pra ter conversa legal, né?

Combino de dar aula, ajudar a dar aula, debater algum tema, enfim, coisas de chato.

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Redação Enem: uma proposta de estudos – ou seria um desafio?

Você acredita em “dom para a escrita”?

Geralmente esse mito habita o imaginário de quem se propõe a dar os primeiros passos da escrita para o Enem. Cientes da própria inabilidade, tais alunos condenam-se a um futuro sem evolução e depositam em seus professores a missão de fazer milagres – dicas, “aulões”, correções superficiais, adivinhação de temas…

Se uns nasceram para escrever, outros não… Ora, tal lógica me parece ser arrebatadora de esforços, pois destrói a vivência de quem muito se dedicou a escrever bem, e faz com que o mau escritor não encontre motivos para se esforçar – afinal, uma vez ruim, ruim sempre.

O fim desse mito representa a superação de uma cultura tediosa, robótica, que foge dos medos, não se arrisca. Só o reproduz quem busca a autossabotagem.

A boa escrita demanda um processo de aprendizagem que está na contramão do dom. Longe de ser inata, a facilidade para escrever surge de treinos, e é nesse momento que a humildade atua.

Portanto, a redação Enem só é bem feita pelos humildes, aqueles que reconhecem a situação de pouco conhecimento e se dedicam à melhora. Quem aceita a ideia de “dom para a escrita” não é humilde, mas covarde, que mente a si próprio para não ter que se esforçar.

 

Treinamento

A felicidade não pode ser adiada o tempo inteiro. O vestibulando costuma se preparar para sofrer nesse ano, pois sempre teve a ideia boba de que treinar é sofrer, aguentar, esperar. “A felicidade está no futuro”, imagina ele.

A maior parte da vida das pessoas é baseada em treinamento, esforço, dedicação. Na faculdade não é diferente; no trabalho, menos ainda. O eterno adiamento da vida merece ser rompido o quanto antes.

Sendo assim, é fundamental buscar ser feliz enquanto se treina para o Enem. Há fórmula perfeita para isso? Óbvio que não. Cada um é cada um e deve ser senhor de si mesmo, inclusive para decidir se quer treinar ou não, mas o importante é tomar essa decisão.

Além disso, é fundamental decidir sobre qual método adotar. Cursinho caro e competitivo? Cursinho mediano, mas próximo de casa? Professor particular? Autodidatismo? Cursinho online? Horário noturno? Diurno? Livro específico? Material da internet? Redação desde janeiro ou só na reta final?

A liberdade pode ser chata o suficiente para que as pessoas optem pela inércia. É uma pena, porque depois reclamam de infelicidade e não sabem o porquê. O colega indicou…

Saber treinar, enfim, é conhecer as próprias particularidades e escolher, por si mesmo, o método de aprendizagem mais adequado a elas.

 

Método Chato

  • Eu só trabalho com o Enem: alunos que buscam outros vestibulares, estejam cientes disso;
  • Ensino em função de redações e dúvidas: o aluno precisa buscar o melhor de mim, experimentar, testar, ser ativo;
  • Alunos que já têm algum professor tendem a me desanimar, pois busco ajudar quem realmente está desamparado. Se houver outro professor de redação, é aconselhável que as comparações sejam evitadas;
  • Não costumo dar nota. Aponto erros e caminhos para não repeti-los;
  • Não tenho prazo certo para corrigir as redações. Sou responsável com a evolução dos alunos, mas com a minha saúde mental também; e
  • Só indico uma única estratégia argumentativa: exploração de causas e consequências. Diversidade não é comigo. Dados, citações e exemplos ganharão cara feia de mim. Não se esqueça que aqui o lema é CHATICE!

Se não fosse de graça, talvez eu estivesse apontando mais vantagens, falando dos resultados que nós já alcançamos, na quantidade de vezes que fui chamado de “legal” por isso, mas as questões tratadas aqui são mais sérias. Não aceito quem se autossabota, quem se recusa a ser feliz nesse momento da vida, e apresento todas as dificuldades que alguém poderia argumentar para não atingir o objetivo comigo.

Fiz grandes amigos com isso aqui, em relações sempre baseadas no respeito. A minha palavra e os meus limites estão descritos ali em cima. A parte fácil é ir bem lá no final. Quero ver é ser feliz enquanto estuda com um chato 😉